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Archive for the ‘Infância Criativa’ Category

Infelizmente sou dotada de uma memória de elefante.

Digo infelizmente pq não tenho essa super memória pra qualquer coisa, como para fórmulas matemáticas e similares, mas sim para acontecimentos na minha vida…

Consigo lembrar de coisas de quando eu tinha 1 anos de idade, engantinhando na sala de casa procurando a cabeça de uma boneca que eu tinha arrancado, ou quando eu escorreguei na banheirinha e entrou água no meu nariz e eu senti aquela dor típica de água no nariz… rs

E sou muito boa em lembrar das minha frustrações também… Várias deles, desde as mais bobas às mais complexas que só são curadas/ amenizadas na terapia…

Uma das primeiras delas foi quando eu tinha aproximadamente uns 4 anos… Eu já tinha visto milhares de vezes uma propaganda do sorvete frutilly com recheio de creme branco, onde um fantasminha feito desse creme branco saia do sorvete quando a menina mordia e começava a brincar com todo mundo e as crianças todas ficavam felizes… E como eu era filha única e normalmente brincava sozinha, meu sonho de consumo virou aquele sorvete!!! Visto eu estar louca pra ser amiguinha do fantasminha de creme!!!

O problema é q eu sempre tive problemas de garganta, bronquite, e sorvete pra mim era uma coisa quase proibida… Ficava dias e dias obcecada pelo sorvete e tentando convencer minha mãe q eu não ia ficar doente… Até que um belo dia, quando o sol brilhava no céu, minha mãe parou em uma padaria e enquanto eu aguardava ansiosa no calor do carro, ela foi lá buscar meu frutilly…

Vocês não tem noção da expectativa que eu tinha quando dei minha primeira mordida… Foi uma mordida cuidadosa, devagar, pra não machucar meu amiguinho feito de creme… E ele não apareceu…

O problema só podia ser meu, claro! No jeito que eu dei a primeira mordida… Tinha que ser uma mordida igualzinha a da menininha da propaganda… Então fiz o que eu pude pra que fosse igualzinha… e mais uma vez nada…

Só sei que repeti o ato mais umas 3 vezes, até o sorvete chegar na metade e nada do fantasminha aparecer…

Só sei também que essa foi a primeira de outras tantas frustrações na minha vida! E eu mal sabia que quanto mais vai passando o tempo, mais elas aparecem pra nos tirar as noites de sono…

Detalhe do fantasminha de creme que nunca apareceu pra mim!

Depois disso também teve a vez que eu estava surtada por uma boneca chamada Mamadinha que tinha um controle remoto em formato de mamadeira que fazia a boneca arrotar, falar, mecher a boca, e uma série de outros comandos que pra época era praticamente uma revolução tecnológica.

As condições das pessoas num geral, em 1990, não eram das melhores visto todos os problemas econômicos da época… E minha mãe estava recém-separada do meu pai e desempregada… Logo minha única salvação era meu pai, ainda se recuperando da separação também…

Meu pai então mandou o $$ para minha mãe comprar a boneca de aniversário pra mim, e eu era só felicidade…

Acontece que minha mãe estava desempregada… E a boneca na época era uma pequena furtuna… Então minha mãe me pediu se ela não podia ficar com o dinheiro, tentando explicar da maneira mais lúdica o possível a nossa situação e que aquele dinheiro poderia nos ajudar mto… E minha mãe era (e é) tão linda, tão doce, tão especial pra mim que eu, no auge dos meus 5 anos, nem pensei duas vezes…

Mas só eu sei quantas e quantas noites eu chorei por causa da mamadinha…

Minha frustração mor, a frustração da minha vida, não tem nada a ver com sorvetes nem brinquedos…

Tem a ver com o fato de não ter feito USP…

Apesar de ter sido a maior vagal no colegial, quando fiz cursinho comecei a levar a vida a sério… Fiz cursinho no ano q morei com meu pai no Rio e não tinha mais nada pra fazer a não ser estudar…

Porém quando voltei pra São Paulo o vestibular da USP já tinha passado, e depois que comecei a faculdade e comecei a trabalhar acabei me conformando e não tentei transferência.

Nada mais me frustrou mais durante os anos seguintes…

Enfim, a vida é cheia delas né! E a gente precisa aprender a lidar… Não que aprenda efetivamente, mas pelo menos tenta…

Bjusss

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Ovo Cozido

Domingo é mesmo um dia complicado… Pra mim, pra minha boca e pras minhas unhas, visto que como uma pessoa ansiosa que sou aproveito todos os cantinhos que possuo pra mastigar.

Daí eu, meu namorado e minha sogra arranjamos um jeito bom de tentar fazer com que o domingo seja um dia agradável e para que passemos ilesos por ele: Beber vinho!

Pode parecer que não, esse simples programa é uma delícia! Ficamos bebericando vinho, comericando, e jogando conversa fora…

Esse domingo, entre outros assuntos, ficamos falando de avós… Eu tenho apenas um avô vivo, mas esse avô vale por 1.000! rs… Foi esse mesmo avô que me deu a bronca dos ninhos de passarinhos…

Entre uma história e outra, lembrei de um episódio acorrido logo após o falecimento da minha avó…

Foi uma grande perda pra família toda, ficamos todos realmente abalados, e foi a primeira e única vez que eu vi meu avô chorar…

Mas a vida precisava ser tocada, principalmente pro meu avô, depois de mais de 45 anos de casado…

Foi assim que surgiu o convite pra mim e pra minha prima menor, ir ao zoológico. Fazia mtos anos que não íamos, e foi a maneira que meu avô encontrou pra estar conosco depois do ocorrido…

E fomos nós três, num domingo de sol, ao zoológico de São Paulo.

Foi realmente um dia bem agradável… Meu vôzinho é daquelas pessoas que têm uma história pra tudo, e sempre  conta um “causo” relacionado aos acontecimentos cotidianos.

Aí, já no final da tarde a fome começou a apertar… Sabíamos que meu avô, super mão de vaca, havia levado um lanche pra gente, pra não ter que gastar dinheiro com porcarias gostosas, então solicitamos ao bom velhinho para que nos passasse o lanchinho que ele havia trazido…

E qual não foi a nossa surpresa qdo ele saca de uma sacolinha um potinho cheio de… OVOS COZIDOS!!!!

Sim… Ovos de galinha mesmo… Cozidos e COM CASCA!!!!

A cara de desânimo minha e da minha prima era incontrolável!!! Tudo que queríamos no mundo era não ter que descascar e lanchar ovos cozidos no meu do zoológico lotado. Correndo o risco ainda de ataque de algum animal que se sentisse ofendido com a cena de assassinato aos pintinhos…

Não havia opção, estávamos os três e pelo menos uma dúzia de ovos que precisavam servir pra alguma coisa…

E foi assim que ficamos os três descascando e comendo os ovinhos cozidos…

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Meus avós maternos eram de minas e assim que sobrou uma graninha extra eles compraram uma casinha lá (especificamente em Uberaba) e se mudaram, merecidamente, visto que tanto meu avô, quanto minha avó já haviam trabalhando tempo suficiente e nada mais justo que utilizarem-se de sua condição de aposentados para viver num lugar mais tranquilo e teoricamente mais seguro.

Nessa época eu tinha aproximadamente uns 5 anos. Também não tinha muito coisa pra fazer, lá isso é verdade, então rumei à Uberaba para passar um tempo na casa do vovô e da vovó. Não que lá havia muita coisa pra fazer, mas pelo menos era uma coisa diferente pra mim, e mais saudável, perto da natureza, essas coisas…

Nossa, a vida lá era uma beleza… Estrada de terra, casas grandes e com quital, animais abundantes e soltos, árvores de todas as espécies, um parque de diversões natural pra uma pessoa nascida e criada numa gaiola…

Minhas brincadeiras preferidas eram subir em árvores, cavocar a terra, deixar marcas no cimento recém-passado da calçada do meu avô, roubar o esmalte vermelho da minha avó pra desenhar (felizmente no papel mesmo), e fazer coisas que eu só ia descobrir que eram erradas depois de feitas…

Mas gentem… normal de criança né???

Um dia resolvi fazer um pique-nique… Nossa, super legal!!! Sempre achei o máximo levar comida pro quintal e quase ser devorada por formigas que seriam melhor classificadas de dinossauros… O mais legal é que as formigas não se contentam em comer só a tampa de seu danone, elas querem o SEU danone inteiro e ainda tiram algumas lasquinhas de você tb!!!

Levei um pano véio mesmo e coloquei alguns quitutes (vários) em uma cesta dessas que as pessoas ganham com flores, e fui para o quintal. Minha avó não estava, ela prestava serviços comunitários na cidade, algo como “Super liga das velhinhas boazinhas”, e meu avô aproveitava a folga pra ver futebol na televisão.

Fiz tudo bonitinho: Joguei o paninho imundo no chão, a cestinha mequetrefe com as guloseimas e cima e fiquei lá sentada com cara de Alice no país das maravilhas debaixo de um abacateiro. Estava um dia bem gostoso, fresquinho, perfeito!

Comi um chocolate, tirei uma lasquinha de pão, comecei a mexer nas folhinhas caídas no chão, e tudo aquilo começou a me entendiar… Os pique-niques poderiam ser mais agitadinhos né? Se ao menos tivesse abacate no abacateiro, eu brincaria de arrancar abacates do pé (super aventura pra quem mora em apartamentos).

Levantei e fiquei lá encarando o abacateiro. Graaaaaande, imenso, com seus galhos enormes que pareciam milhares de braços segurando as folhinhas… Fiquei olhando e procurando um abacatezinho que fosse… Meio vai… pode ser verde, nem precisa ser maduro… Mas não encontrei nada…

Continuei esperançosa, procurando alguma coisa que se parecesse com um abacate… Foi quando avistei um passarinho pousado num galho, como um guarda-costas… E ao seu lado, bem ao seu lado, UM NINHO! Sim, um desses ninhos que a gente sempre vê nos desenhos animados e pinta na escolinha… UM NINHO DE VERDADE!!!

Uma pausa para explicação: Gente eu sei que nunca devemos fazer isso, mas eu tinha 5 ANOS! Essas coisas de devemos/ podemos/ queremos ainda não estão definidas.

Crianças, nunca façam isso na casa do avô!

Aquilo me deu uma alegria sem explicação!! Eu precisava mostrar ao mundo que eu era a maior aventureira caçadora de ninhos do mundo! A alegria era sem tamanho! Eu precisava pegar aquele ninho e abraça-lo! Beijá-lo! Dormir com ele de noite! Total síndrome de felícia…

Aí peguei um varetão (ui) que meus avós mantinham ao lado do abacateiro para cutucar os abacates até eles caírem no chão e comecei a cutucar meu tesouro, o ninho. Claro que eu esperei até o passarinho guarda-costas sair para começar com a cutucação…

Até que finalmente o ninho caiu!!!

Percebi que algo caiu junto com o ninho, mas não consegui ver o que efetivamente era.

Saí pululante, saltitante, correndo para encontrar meu querido avozinho na sala da casa… Ele iria ficar tão orgulhoso de mim…

Qdo eu cheguei perto, com as mãos pra trás, com cara de que “eu aprontei”, meu avô pressentiu que algo havia de errado.
Virou pra mim e perguntou, já num tom de braveza que só um vô muito bravo pode ter…

(Eu não havia percebido que minha blusinha de lã cinza estava cheia de fiapos e galhinhos, todos provenientes do ninho, e que essa evidência foi crucial no meu julgamento… Até aí eu já tinha desistido da idéia de mostrar o meu tesourinho pro meu avô e estava tentando sair de fininho…)

-O que você tem aí atrás menina? O que vc está aprontando???
-Nada vovô, eu só vim te visitar, mas já estou saindo…
-Como nada? Olha só você toda suja! (nessa parte foi q eu reparei meu estado) O que você está escondendo nas mãos???

Aí tudo passou muito rápido… Ele logo viu que eu estava carregando a imcubadora de algum passarinho, brigou horrores comigo, falou que eu havia matado a familía de um passarinho (olha o emocional), e após umas palmadas (hj em dia é proibído) foi comigo até o abacateiro, devolver o ninho para a árvore… Pra ajudar a piorar, ele encontrou um ovinho quebrado no chão, que foi o que caiu junto com o ninho e que eu não havia encontrado…

Aí eu já estava chorando horrores né… Perdi meu lindo ninho, levei uma bronca monumental e ainda estava me sentindo culpada pela estinção dos passarinhos no mundo…

Foi aí que eu aprendi que não se deve brincar com os ninhos de passarinhos… Porque as crianças têm idéia de gerico?

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Esse próxima história é apenas um curto acontecimento de muitos anos atrás, acho que eu tinha uns 15 anos…

Eu ia sair com uma de minhas primas, e nessa época nem uma nem outra possui carro (eu por motivos óbvios, ela por questões financeiras mesmo, pois é mais velha que eu) e éramos adeptas ao velho e conhecido busão…

Só não me lembro muito bem onde estávamos indo, mas com certeza era um programa cultural típico de pessoas esquisitas, como eu e ela!!!

Minha prima querida já falava um inglês de escolinha de inglês, e eu só via isso no colégio mal e porcamente (já q não fui uma aluna tão exemplar assim no colegial). Então ela veio com uma idéia genial de brincadeira que consistia no seguinte: Ela fingiria ser um gringa que não falava português, e eu deveria chegar para a primeira pessoa que pousasse no ponto de ônibus e falar “olha, minha amiga aqui é estrangeira e não fala nem entende português, só inglês. Será que você poderia por favor nos avisar quando o ônibus tal chegar?”… E assim ela poderia gastar o seu inglês macarrônico da época com uma pobre vítima do ponto de ônibus…

Depois que ela porpôs a brincadeirinha dela, eu fiquei pensando, pensando (rapidez não é meu forte), virei pra ela e falei: “Ah beleza, vc então é a gringa bacana e eu sou a analfabeta que não sabe ler nem escrever????”

Sim! A brincadeira no fundo deixava parecer que eu era analfabeta, pra não conseguir nem ler o nome do busão!!!!

BRINCADEIRA LEGAL ESSA!!!!

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To afim de contar uma historinha da minha infância para iniciar…

Eu estudava numa escola pública do bairro onde eu morava… Nunca fui o que se pode considerar de uma criança popular, se é que me entendem…
Eu não era nem bonita nem feia, meio gordinha e mimada, e muito ingênua, daquelas crianças que são prato cheio para pequenos endiabrados masoquistas. Vira e mexe alguém me zuava, inventava um apelido novo ou acabavam com meu lanche na hora do intervalo, ainda mais sendo a maioria das crianças humildes e sem grana pra comprar comida.
Eu comprava lanches todos os dias, financiada pela minha avó materna, que sentia uma alegria imensa em me ver comer.
Não tinha tantas amigas como eu gostaria, na verdade eu me juntava com quem me dava atanção… Mas eu queria mesmo era estar na patotinha das goratas mais “populares”… Fala sério, quem não queria sair do limbo pra ser considerada das legais? Eu queria!
O engraçado é que nem sempre elas eram legais, mas só de fazer parte do grupo você já era considerada legal e conseguia respeito dos demais.

Sim, o que eu queria mesmo era respeito, no fundo no fundo.

Algumas vezes, raras vezes, eu conseguia conversar mais de 1 minuto com alguma menina “legal”. E eu ficava tão feliz, com a sensação que algum dia iam descobrir que eu poderia fazer parte do grupo, e que no dia seguinte elas iam ser mais legais comigo.
Mas não eram… Na verdade sempre usavam alguma coisa que eu havia dito pra me encher mais o saco…
E o ápice dessa curta história foi num dia, depois da aula, que eu estava debaixo da janela de uma das salas, sentada em um banco de concreto, quando como que por um milagre umas duas delas vieram falar comigo…
Nossa, meu coração até batia acelerado…. Eu tinha que fazer tudo direitinho! Meus passos estavam sendo milimetricamente calculados, eu tinha que parecer gentil e simpática!
E foi nesse momente que eu senti uma líquido quente escorrer na minha testa… Estranho eu estar suando dessa forma, pois não era comum pra mim… Foi quando comecei a ouvir um coro de risadas vindo de todos os lados, e então tive a infeliz idéia de passar a mão na testa para averiguar o que estava acontecendo… Uma pomba tinha defecado na minha cabeça, na frente não somente das meninas legais, mas do restante do colégio……..

Aquela maldita escola sempre foi infestada de pombas, mas não era normal acontecer isso com as pessoas… Mas lógico que tinha que acontecer comigo e naquele momento!!!!

Fui assunto durante o resto da semana… E depois de meses algumas pessoas lembravam ainda… E existem pessoas, como eu, que nunca mais esqueceram…

Acho que foi o dia que eu comecei a me tornar a pessoa revoltado que sou! Rs

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